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domingo, 11 de abril de 2010

Não preciso de você deste jeito. Do jeito como me olha recriminadamente dizendo como não tenho de ser. Não preciso de você mandando eu ter amigos e selecionando-os no meu lugar. Não preciso de você dizendo o quanto devo beber ou fumar, ou olhar pela janela. Não preciso de você jogando fora meus jarros e me deixando a conversar com as paredes ou com a boca na mimica da mão. Não preciso do teu aprovo, do seu dinheiro, da tua "mansão com piscina", do teu "jatinho". Não, não preciso de você mesmo, muito menos da tua amizade de papel, esta sim é que não preciso pois ja esta lavada, surrada, enxuta e passada. Amizade unidirecionada e cara demais. Eu não tenho preço porque minha personalidade não compra amizades e muito menos é fruto de escambo. Não me vendo por nada e entendo até a malícia por trás de um elogio. Por isso poupe sua propina e compre quem realmente se vende, já que de tão barato não preciso ter valor algum e isto me basta.

sábado, 10 de abril de 2010

segunda-feira, 18 de maio de 2009


Dor física nunca representou nada. Doe muito mais inalar o veneno áspero espelido pelo seu corpo. Esse veneno indolor e que afeta o SNC. Atrás de tudo que parecia eloquente em seu ser, descobri a farsa que lançava a teia. Me livrei a tempo, mas caí numa armadilha maior, antes o veneno, antes a desvirtualização. Meu coração é mole como pedra.
Criei este espaço com o objetivo de tentar vasculhar um pouco da ilha que representa a minha cabeça, o titulo fazendo alusão à Esquizofrenia não representa a parte perdida deste todo, e sim a parte que não esta presa a nenhum vício ou corrente, talvez apenas a parte metafórica a que esta associada a esquizofrenia. Buscar um pouco do que parece ser este oceano a que me perco e busco soluções simples, mas não muito.

terça-feira, 27 de maio de 2008

amo vc com a mesma certeza que vai ter sol, que vai chover e que bate um coração
não precisa me dizer o mesmo porque leio isso na sua mente
não precisa me dizer o mesmo porque seus lábios cerrados me falam

te amo com a avidez das marés, que com força invadem, agridem, ganham,
amor que se faz com palavras pequeninas, como grão, como pés, que plantam, germinam e crescem.
esse que se chama amor, que entorpece como os tornados, e destrói casas pra se auto-afirmar. pode significar um desastre se não condisser com o esperado sendo uma ilha paradisíaca quando se acredita na força dele.
Amor este que grita, que corre, que viaja quilômetros, que percorre fios, que filtra flashes, e que agride e atira em pombos correios pra que cheguem mais rápido ao destino, que estende a mão e pendura a roupa num cabide pra que o corpo seque...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Do grego skizo, divisão, e phrenos, espírito, a "doença do espírito dividido"

terça-feira, 8 de abril de 2008

Equilíbrio

Com o pretexto de criar um coração, invento novas células, rearranjo vasos sanguíneos, martelo, martelo, ponho o dedo na tomada pra simular um marcapasso, os vasos gangrenam, as veias se desviam pra me manter vivo, tento me manter no limiar, e me acho um homem de sorte por estar neste estado, por estar andando entre as luzes e as trevas, por estar flutuando a noite em busca de um corpo, ou por sonhar com mutilação deveras, como quem diariamente faz da escada rolante, ou do simples atravessar a rua uma roleta russa de um surto, um surto que pode ou não significar a passagem concreta ao lado da não-existência. Covardia, largar minhas células mortas desta forma, sem a completa degradação, parece que realmente abandonaria esta casca se soubesse como trocar de morada, seria bem interessante, vestir uma roupa diferente a cada dia, viver uma nova vida a cada dia, novas experiências , novo olhar a cada vestígio de mudança, novo truque, novas vítimas...... Vasos e veias me inserem no mundo agora, alimento deixa-me são, forte, como energia para meus neurônios que esticam e esticam, pelo menos eles esticam, pelo menos meu orgulho segura cada neurônio e os deixam em prontidão, que bom que consigo raciocinar novamente, estava ficando preocupado com esses pensamentos surtados, preocupado demais com os vícios de uma cabeça completamente adaptável e livre de preconceitos, surtei, não demorou para ele vir, e veio mesmo, surto, o surto, senti o primeiro surto da minha vida como uma experiência, que com certeza ficou cravada no meu codigo genético e até as próximas três gerações vão levá-lo consigo, foi como o nascer, como levar um tapa na cara, não um tapinha indolor de mão aberta e sonoro, mas uma bofetada de mão fechada que me tirou o equilíbrio e como um bêbado, ainda em queda respondi a tudo e a todos com palavras trôpegas e desequilibradas, como um bêbado fui um maestro regendo um pouco dos neurônios que consegui achar e como um maestro, desabafar para tudo e para todos tudo o que sentia, como um bêbado desviei dos carros meio que querendo que eles fizessem seu papel e não desviassem sua rota, ou que as tragédias fossem mais comuns, mas como um maestro regia o réquiem da minha morte, blindava a couraça da vaidade e me permanecia em pé . Me senti um marionete do destino, um Romeu, um Buendia, um africano.
Foi uma noite de terror, primeiro o surto, o choro, o colapso, a desculpa pelos lapsos, o pós-lapso. E em seguida as tentativas de manter a calma, o calor exalado parecia aquecer o mundo, o coração como um tambor fazia estremecer o ar que jazia parado, o pesadelo, porém o abraço confortador, o beijo, e então a singularidade do beijo é subjulgada pela nova ciência criada que parecia entorpecer até a mais singela dança, e a alma em mil lugares ao mesmo tempo, toda uma ciência voltada para explicar uma teoria completamente errada e incontrolavelmente embutida na cabeça , a incerteza, a obscuridade, o medo, o destino, tudo fazia levar ao precipício, até os primeiros raios do nascer do sol traziam à metáforas de que já era hora de acabar com tudo, o desconhecido é o pior inimigo da razão. E a razão torna-se frágil quando o enfrenta. O desconhecido é um demônio de sete dedos e todos eles apontavam para a minha cabeça. O desconhecido só não contava com uma vantagem do meu corpo imperfeito, não contava com o meu signo, não contava com a bipolaridade, ela então salvou a minha vida. Me transgrediu e me atirou no outro lado do meu cérebro, num outro hemisfério da razão. Acho que foi sorte e azar ao mesmo tempo, mais uma vez é o equilíbrio então, e não se pergunte que balança fez essa medição. Porquê nem eu sei explicar e nem sei também como o sol nasceu neste dia.