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terça-feira, 27 de maio de 2008

amo vc com a mesma certeza que vai ter sol, que vai chover e que bate um coração
não precisa me dizer o mesmo porque leio isso na sua mente
não precisa me dizer o mesmo porque seus lábios cerrados me falam

te amo com a avidez das marés, que com força invadem, agridem, ganham,
amor que se faz com palavras pequeninas, como grão, como pés, que plantam, germinam e crescem.
esse que se chama amor, que entorpece como os tornados, e destrói casas pra se auto-afirmar. pode significar um desastre se não condisser com o esperado sendo uma ilha paradisíaca quando se acredita na força dele.
Amor este que grita, que corre, que viaja quilômetros, que percorre fios, que filtra flashes, e que agride e atira em pombos correios pra que cheguem mais rápido ao destino, que estende a mão e pendura a roupa num cabide pra que o corpo seque...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Do grego skizo, divisão, e phrenos, espírito, a "doença do espírito dividido"

terça-feira, 8 de abril de 2008

Equilíbrio

Com o pretexto de criar um coração, invento novas células, rearranjo vasos sanguíneos, martelo, martelo, ponho o dedo na tomada pra simular um marcapasso, os vasos gangrenam, as veias se desviam pra me manter vivo, tento me manter no limiar, e me acho um homem de sorte por estar neste estado, por estar andando entre as luzes e as trevas, por estar flutuando a noite em busca de um corpo, ou por sonhar com mutilação deveras, como quem diariamente faz da escada rolante, ou do simples atravessar a rua uma roleta russa de um surto, um surto que pode ou não significar a passagem concreta ao lado da não-existência. Covardia, largar minhas células mortas desta forma, sem a completa degradação, parece que realmente abandonaria esta casca se soubesse como trocar de morada, seria bem interessante, vestir uma roupa diferente a cada dia, viver uma nova vida a cada dia, novas experiências , novo olhar a cada vestígio de mudança, novo truque, novas vítimas...... Vasos e veias me inserem no mundo agora, alimento deixa-me são, forte, como energia para meus neurônios que esticam e esticam, pelo menos eles esticam, pelo menos meu orgulho segura cada neurônio e os deixam em prontidão, que bom que consigo raciocinar novamente, estava ficando preocupado com esses pensamentos surtados, preocupado demais com os vícios de uma cabeça completamente adaptável e livre de preconceitos, surtei, não demorou para ele vir, e veio mesmo, surto, o surto, senti o primeiro surto da minha vida como uma experiência, que com certeza ficou cravada no meu codigo genético e até as próximas três gerações vão levá-lo consigo, foi como o nascer, como levar um tapa na cara, não um tapinha indolor de mão aberta e sonoro, mas uma bofetada de mão fechada que me tirou o equilíbrio e como um bêbado, ainda em queda respondi a tudo e a todos com palavras trôpegas e desequilibradas, como um bêbado fui um maestro regendo um pouco dos neurônios que consegui achar e como um maestro, desabafar para tudo e para todos tudo o que sentia, como um bêbado desviei dos carros meio que querendo que eles fizessem seu papel e não desviassem sua rota, ou que as tragédias fossem mais comuns, mas como um maestro regia o réquiem da minha morte, blindava a couraça da vaidade e me permanecia em pé . Me senti um marionete do destino, um Romeu, um Buendia, um africano.
Foi uma noite de terror, primeiro o surto, o choro, o colapso, a desculpa pelos lapsos, o pós-lapso. E em seguida as tentativas de manter a calma, o calor exalado parecia aquecer o mundo, o coração como um tambor fazia estremecer o ar que jazia parado, o pesadelo, porém o abraço confortador, o beijo, e então a singularidade do beijo é subjulgada pela nova ciência criada que parecia entorpecer até a mais singela dança, e a alma em mil lugares ao mesmo tempo, toda uma ciência voltada para explicar uma teoria completamente errada e incontrolavelmente embutida na cabeça , a incerteza, a obscuridade, o medo, o destino, tudo fazia levar ao precipício, até os primeiros raios do nascer do sol traziam à metáforas de que já era hora de acabar com tudo, o desconhecido é o pior inimigo da razão. E a razão torna-se frágil quando o enfrenta. O desconhecido é um demônio de sete dedos e todos eles apontavam para a minha cabeça. O desconhecido só não contava com uma vantagem do meu corpo imperfeito, não contava com o meu signo, não contava com a bipolaridade, ela então salvou a minha vida. Me transgrediu e me atirou no outro lado do meu cérebro, num outro hemisfério da razão. Acho que foi sorte e azar ao mesmo tempo, mais uma vez é o equilíbrio então, e não se pergunte que balança fez essa medição. Porquê nem eu sei explicar e nem sei também como o sol nasceu neste dia.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Sou a soma dos outros, do desconhecido, decomposto, do lacrimal. Sou o som atrás da porta, se fosse sua voz estaria bem distante porque dela se fez o silencio, porque quero que essa voz muda jamais volte a esbravejar, sem que nunca tenha me levantado a voz. É nestas horas que queria ser mudo, queria nunca ter falado alguma coisa audível, ou mesmo decifrável, seria um esquisito mendigo que se frustraria por saber que não o entenderiam, mesmo precisando de toda a paz e serenidade pra canalizar as influências de minha cabeça. Sou a soma de pasta e cal, sou a tinta que escorre, quando deveria subir a parede, aquela infinidade de pontos que parecem completamente sem sentido quando visto apenas pelos membros, pontos que se movimentam involuntariamente, cores que passam paralelas ao meu ser, aos meus órgãos, cores que saem dos meus olhos, cores que te vejo e me pergunto se não me enganam (mas eu quero me enganar!). Sou isso mesmo.

domingo, 30 de março de 2008





APPLE OR SPEKTOR??????
Esplêndido como a confusão faz parte de um jogo de perspectivas...elas são fabulosas por fazerem-se perceber de modo quase igual e singularmente ao mesmo tempo.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Diário de Bordo é tão somente o livro de registro de uma embarcação, onde ficam amparados todos os fatos, relatos, conclusões e incursões de uma mente que beira a sanidade tanto quanto os motivos ao qual levam ao desencadeamento da Esquizofrenia.
Fugindo às regras destes dias que precedem o início deste verão, hoje foi um dia mais ventilado. Pelo menos o ar move-se e não deixou nossos corpos arderem tanto ao sol e ao vapor escaldante do solo. Por onde andará minha rígida carapaça, difícil de ser quebrada. Lacrada, selada, colada, indestrutível viés. Abriga esta mente irredutível, não um temperamento teimoso ou desprovido da noção de remodelamento, porém num espírito contratado por Morpheus, nesta juventude sedada , queria sempre psicodelizar essa geração....pobres mortais.
calor, frio, calor, frio...testa enchovalhada, hálito de orvalho, ereção, pêlos eriçados, desespero de morte, houvera um tempo em que a morte não se fizesse ameaçar porém a estrada começa a se desmanchar e tudo parece me acompanhar, converso com a morte sem saber quem ela é. Ela me diz que está me esperando e que nos veremos, ela, uma jovem bonita que engana, que disfarça a taquicardia, que toca clarinete enquanto passo fingindo amizade, estou cansado!!! farto de pessoas sem atitude, de pessoas que ainda dormem enquanto eu ajo, e não desperdiço horas de meu sono com passados, nem com expectativas frustradas, calor, frio, calor, calor, calor...e a mente parece paralisar, a mente se influencia com minhas técnicas em achar uma saída deste plano. Jovem moça, leve-me depressa. Quero , nem sei...Acho que nunca quis. Esse engano de calores. Essa súplica da alma. Esse afago que deixa vazio, que logo é preenchido. Como a próxima colherada que alimenta a fome e novamente pede pra ser saciada...Fome, o que é isso mesmo?

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

... o sol me acompanhava, o calor dominava minha fala e era irresistivel a facanha dele me acompanhar, parecia que estava em todos os meus pensamentos, ate nos mais sombrios.foi entao q percebi o qto que um deserto nos acompanha na vida que devemos realmente seguir sozinhos, e isso é decididamente definido pela solidão do sol, de como o sol não precisa de outro sol junto a ele pra ser feliz, certo que ele possue os outros planetas ao redor que não o completam e sugam dele perspectivas de vida, sugam e se vangloriam de seus sabores.Nunca esqueci o local onde vc esta, nem o lugar onde nos encontramos. Adorava o modo como nos olhávamos, e testavamos nossos olhares, fazendo a vontade de estarmos juntos aquele momento ser algo de concreta legitimidade. Me proibo de pensar em voce, nao sofro mais por ter tomado essa decisão, aquela dor uso como velocidade pra manter e buscar romper obstaculos.A paixão virou determinação por ser algo melhor, a perfeição se possivel, quero ser algo erradamente perfeito. Como uma pintura que por traz reveste-se de simbologismos, como se a alma que nunca acreditei que tivesse continuasse assim, mas agora finjo que ela me acompanha e como toda mentira se torna verdade se repetida exaustivamente. Virará verdade. Perdi um amuleto e ganhei determinação, obsessão por mim mesmo, que já existia, mas agora aflorou com protuberância vulcânica e explosiva. Meu auto-determinismo tornou-se um ponto de sustentação pra corda dependurada da minha vida. Preciso deixar este mundo e cair em outro em que me caiba, estoria de morte e decapitação fazem parte de outro mundo, mundo politico-medieval que habita ainda esse nosso com uma bela máscara cosmética e plástica.

Corro, corro, nesta singular via sem pressa, mesmo desejando jamais que ela passasse, consumido pela paixao sou levado, ladeira abaixo, pq abaixo então? pq triste, pq sozinho, penso que não seria o pior problema, o pior seria a negação, pq me considero não deste mundo(este planeta azul) deixei meu planeta só pra ficar aqui, achando que acharia alguém como eu, descomplicado em cada ato da minha vida, fazendo tudo pra descomplicar a vida dos outros, amigos, conhecidos, família, mas pq minha vida não parece descomplicar jamais? Apareço nu, um belo peixe, sem escamas, que nada contra a maré esmeralda desta cidade, corpo dança movimentos feltros, movimentos amarelados, corpo dança movimentos entre pedras, entre ruas, entre as águas mais violentas, que não deixam de me consumir, corro corro e o tempo não passa, a linha lateral do meu corpo diz que meu equilíbrio esta comprometido por conta da violência das águas, mas continuo a correr, barbatanas não sentem frio, nem meu coração que esta gelado há tempos, tanto quanto as águas ...nao posso parar de nadar,...

Minha química ainda não conheço por inteiro, me analiso, me texto, me experimento. A luz que absorvo só me faz mais forte. Meu espírito nem sei se tenho, pois na realidade não fico em busca dele, pois pode se assustar comigo. Meus ossos são fortes ainda, minha espinha dorsal me apóia mais que meu intelecto. Neurônios me levam mais longe que minhas folhas. Percebo que jamais serei o mesmo novamente depois deste e do próximo minuto, do próximo pensamento que terei, do próximo copo d’água que tomarei. Trago em minhas mãos a luz que faltava pra completar o alimento do cacto, nelas as linhas que dizem pra onde vou são longínquas , parecem não ter fim. Mas me levam à algum lugar distante carente de mim. Tal lugar me é desconhecido, talvez meus descendentes o cheguem a conhecer. Meus embriões que falam por mim. Que pensem e vibrem por mim, que correram e chegaram a fronteira do irreal.