Sou a soma dos outros, do desconhecido, decomposto, do lacrimal. Sou o som atrás da porta, se fosse sua voz estaria bem distante porque dela se fez o silencio, porque quero que essa voz muda jamais volte a esbravejar, sem que nunca tenha me levantado a voz. É nestas horas que queria ser mudo, queria nunca ter falado alguma coisa audível, ou mesmo decifrável, seria um esquisito mendigo que se frustraria por saber que não o entenderiam, mesmo precisando de toda a paz e serenidade pra canalizar as influências de minha cabeça. Sou a soma de pasta e cal, sou a tinta que escorre, quando deveria subir a parede, aquela infinidade de pontos que parecem completamente sem sentido quando visto apenas pelos membros, pontos que se movimentam involuntariamente, cores que passam paralelas ao meu ser, aos meus órgãos, cores que saem dos meus olhos, cores que te vejo e me pergunto se não me enganam (mas eu quero me enganar!). Sou isso mesmo.
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