terça-feira, 8 de abril de 2008
Equilíbrio
Foi uma noite de terror, primeiro o surto, o choro, o colapso, a desculpa pelos lapsos, o pós-lapso. E em seguida as tentativas de manter a calma, o calor exalado parecia aquecer o mundo, o coração como um tambor fazia estremecer o ar que jazia parado, o pesadelo, porém o abraço confortador, o beijo, e então a singularidade do beijo é subjulgada pela nova ciência criada que parecia entorpecer até a mais singela dança, e a alma em mil lugares ao mesmo tempo, toda uma ciência voltada para explicar uma teoria completamente errada e incontrolavelmente embutida na cabeça , a incerteza, a obscuridade, o medo, o destino, tudo fazia levar ao precipício, até os primeiros raios do nascer do sol traziam à metáforas de que já era hora de acabar com tudo, o desconhecido é o pior inimigo da razão. E a razão torna-se frágil quando o enfrenta. O desconhecido é um demônio de sete dedos e todos eles apontavam para a minha cabeça. O desconhecido só não contava com uma vantagem do meu corpo imperfeito, não contava com o meu signo, não contava com a bipolaridade, ela então salvou a minha vida. Me transgrediu e me atirou no outro lado do meu cérebro, num outro hemisfério da razão. Acho que foi sorte e azar ao mesmo tempo, mais uma vez é o equilíbrio então, e não se pergunte que balança fez essa medição. Porquê nem eu sei explicar e nem sei também como o sol nasceu neste dia.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Sou a soma dos outros, do desconhecido, decomposto, do lacrimal. Sou o som atrás da porta, se fosse sua voz estaria bem distante porque dela se fez o silencio, porque quero que essa voz muda jamais volte a esbravejar, sem que nunca tenha me levantado a voz. É nestas horas que queria ser mudo, queria nunca ter falado alguma coisa audível, ou mesmo decifrável, seria um esquisito mendigo que se frustraria por saber que não o entenderiam, mesmo precisando de toda a paz e serenidade pra canalizar as influências de minha cabeça. Sou a soma de pasta e cal, sou a tinta que escorre, quando deveria subir a parede, aquela infinidade de pontos que parecem completamente sem sentido quando visto apenas pelos membros, pontos que se movimentam involuntariamente, cores que passam paralelas ao meu ser, aos meus órgãos, cores que saem dos meus olhos, cores que te vejo e me pergunto se não me enganam (mas eu quero me enganar!). Sou isso mesmo.